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PACIENTES COM NECESSIDADES ESPECIAS - UM NOVO OLHAR NA ODONTOLOGIA

Pacientes com necessidades especiais são aqueles indivíduos que tem alteração na FORMA, na FUNÇÃO e no PENSAR/SENTIR/QUERER. (Varellis, 2004)

São alvo de muitas discussões, quanto à necessidade de adequação em seu plano de tratamento odontológico. Para estabelecer o plano de ação do Cirurgião-Dentista em relação a estes pacientes, ainda são utilizadas classificações baseadas no Código Internacional de Doenças - CID - que levam em conta a moléstia de base e as seqüelas deixadas no organismo como um TODO. Este conceito está deixando de ser usado, e, não se aceita mais classificar um indivíduo em função de suas incapacidades. A partir de 2001, com a aprovação, pela Assembléia Mundial da Saúde, da nova versão da International Classification of Impairments, Disabilities and Handicaps (ICIDH), temos a possibilidade de um novo instrumento para, entre outros usos, definir, medir e formular políticas para saúde e incapacidade.

A Classificação passou a ser denominada Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde - CIF - tradução de International Classification of Functioning, Disabilities and Health - ICF.

Ela deixou de ser uma classificação de conseqüências das doenças, na qual os aspectos negativos eram salientados, para se tornar um instrumento de mensuração de saúde, ou dos componentes da saúde.

A Odontologia deve incorporar este novo pensar e a partir daí, não mais enxergar o seu paciente do ponto de vista doença. Nos interessa, sim, conhecer a doença, seus mecanismos e suas seqüelas, mas, devemos também relacionar o binômio saúde/doença com qualidade de vida. Portanto a doença não deve estancar a ação do Cirurgião-Dentista, que precisa tratar e devolver a saúde bucal de seus pacientes.

As necessidades especiais esbarram em um universo complexo e diverso. Podem ser de educação, transporte, alimentação, entre outras, dependendo de cada indivíduo. Em Odontologia não é diferente. Diagnosticamos o paciente, conhecemos as seqüelas da doença de base, reconhecemos suas limitações físicas, mas o que muda efetivamente no tratamento odontológico? Quais as barreiras que devemos transpor para viabilizar o atendimento? Quando esse tratamento é feito a fim de viabilizar um procedimento médico e vice-versa?

Pensando nestas questões, VARELLIS & LARA (2004), propõe uma classificação a fim de que o cirurgião-dentista, após a anamnese e planejamento, não se perca no emaranhado da doença, adequando seu tratamento às NECESSIDADES ODONTOLÓGICAS ESPECIAIS de cada paciente.

Os grupos apontados por VARELLIS & LARA para a Classificação das Necessidades Especiais em Odontologia são:
1. Abordagem, Locomoção e Estabilização
a- Abordagem Diferenciada
? Em função do estado emocional. Ex: Transtornos Psíquicos, Comportamentais, etc.
? Em função do estado mental. Ex: Deficiência Mental, etc.
? Em função do estado neurológico. Ex: Mal de Parkinson, Doença de Alzheimer, etc.
? Em função de estados fisiológicos modificados. Ex: Idosos, Gestantes e etc.
? Em função de moléstia sistêmica. Ex: Cardiopatias, Diabete Melito, Insuficiência Renal Crônica, etc.

b- Locomoção
? Pacientes que sofreram amputação de membros inferiores.
? Pacientes com plegias e paresias. Ex: Paralisia Infantil, Lesados Medulares e etc.
? Pacientes com alteração de coordenação motora. Ex: Paralisia Cerebral, Parkinson, Acidente Vascular Cerebral e etc.

c- Estabilização
? Pacientes com distúrbio neuromotor. Ex: Lesados Medulares, Trauma Crânio-Encefálico, Paralisia Cerebral, e etc.
? Pacientes com síndromes genéticas ou não. Ex: Síndrome de Down.
? Pacientes com Mal de Parkinson.
? Pacientes com Deficiência Mental.

2. Plano de tratamento
? Quando a moléstia de base determina o curso do tratamento. Ex: Pacientes Diabéticos.
? Quando o plano de tratamento é adequado em função da moléstia de base. Ex: Pacientes Oncológicos que serão submetidos a quimio e radioterapia.

3. Medicamentos
? Quando necessitam de medicação prévia ao tratamento odontológico. Ex: Profilaxia antibiótica para Pacientes Cardiopatas.
? Quando o medicamento está contra-indicado ou necessita de ajuste de doses. Ex: Ajuste de dose de medicamento em Paciente com Insuficiência Renal Crônica, Idosos, Hepatopatas, etc.
? Quando a alteração bucal decorre do uso continuado de medicamentos para tratamento de moléstias sistêmicas ou neurológicas. Ex: Pacientes Alérgicos, Fibromatose Gengival Dilantínica em Pacientes Epilépticos que usam Hidantoína; Cáries radiculares decorrentes da xerostomia provocada pelo uso de medicamentos.

4. Procedimentos
? Quando alguns materiais estão contra-indicados. Ex: Pacientes alérgicos ou pacientes portadores de hábitos alimentares e respiratórios que contra-indiquem o uso de determinados materiais odontológicos.
? Quando alguns procedimentos estão contra-indicados. Ex: Prótese total em paciente portador de Doença de Alzheimer; Implantes em pacientes com osteopenia; Exodontias em pacientes diabéticos descompensados; Cirurgias em pacientes com graves alterações hematológicas, etc.

5. Anestesia Geral e Sedação Consciente
a- Anestesia Geral
? Quando a indicação é absoluta.

b- Sedação Consciente
? Quando a metodologia de atendimento disponível for insuficientemente segura e atraumática para o paciente.
? Quando o estresse é fator a ser evitado incontestavelmente, a fim de garantir atendimento seguro do paciente.

Dependendo da gravidade da alteração apresentada pelo paciente - de saúde e dentária, e de sua capacidade de adaptação, o tratamento para o paciente especial pode ser feito de forma convencional no consultório odontológico, onde as técnicas de sedação consciente podem ser uma excelente opção, antes de optarmos pelo atendimento hospitalar. Desde 1800, quando era utilizado como anestésico e após o advento dos derivados da cocaína, voltou a ser usado na década de 50 como agente analgésico. A mistura óxido nitroso/oxigênio , é atualmente a técnica de sedação consciente mais segura para controle de medo e ansiedade em qualquer ambiente ambulatorial na área de saúde..

O sucesso do atendimento de pacientes especiais está na correta avaliação e determinação do risco médico (ASA I a VI). Esta avaliação de risco deve levar em consideração além da condição física do paciente, o grau de medo e ansiedade em relação ao tratamento odontológico. Esta técnica deve ser usada apenas em pacientes que tenham "maturidade neurológica" para entender o processo de respiração deve ser apenas pelo nariz. Está contra-indicada em casos de deficiência mental moderada e profunda (OMS).

1

MARIA LUCIA ZARVOS VARELLIS

- Cirurgiã-Dentista formada pela FOUSP

- Autora do livro: O PACIENTE COM NECESSIDADES ESPECIAIS NA ODONTOLOGIA -MANUAL PRÁTICO. Editora Santos, 2005.

- Especialista em Odontologia para Pacientes com Necessidades Especiais

- Vice-Diretora do Departamento de Odontologia para Pacientes com Necessidades Especiais da APCD - Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas

- Assessora da Presidência da ABCD - Associação Brasileira de Cirurgiões-Dentistas

- Coordenadora Científica do GEP - Grupo de Estudos e Pesquisa em Saúde Bucal e Deficiência Mental da APAE - Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais - SP

 


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