nitro
ins
nos
psf
pre
Apoio:
puc
ugf
menu
Objetivos
Programa
Investimento
Matrículas
Imersão
Emerg. Médicas
legalidade
Legislação
Regulamentação
Contestações
Resoluções
Documentos
1ª T no Brasil
Rel. Habilitados
artigos
Publico Leigo
Óxido Nitroso
Multidisciplinares
Saúde Coletiva
teses
Periodontia
Reabilitação Oral
Cirurgia
Diversas
bibliografia
Livros

Guidelines

Res. indexados
equipamentos
Fluxômetros
Máscaras Nasais
Oxímetros
Monitor de N2O
links
Odontológicos
Parceiros
curiosidades
Histórico
Farmacologia
Especialidades
saude
Camp. Indígena
1º Expogest
Proj. Vassouras

História do Controle da Dor e Ansiedade - História da Anestesia

A mais antiga referência escrita sobre anestesia que se conhece foi encontrada no tratado de Trinitate de St. Hilaire de Poliers (cerca de 350 A.C), que escreveu: "a alma pode ser levada ao sono por medicamento e, assim, superar à dor e produzir na mente um esquecimento em seu poder de percepção, semelhante à morte".

Empregavam-se agentes anestésicos desde os mais antigos tempos. Os egípcios utilizaram largamente a cirurgia e, provavelmente, lançaram mão de narcóticos .Os chineses conheciam o ópio, o haxixe e suas propriedades analgésicas.

No início do séc XVIII, Joseph Priestley, despertou sua vocação para química ao observar bolhas de ar que se formavam na fermentação da cerveja, numa fábrica que ficava perto da sua casa. Sem se conformar com as explicações que ouvia sobre os fenômenos químicos, ele descobriu o oxigênio, o ácido carbônico o anidrido sulfuroso, o amoníaco e o flúor, “as diferentes classes de ar”, como denominou.

Foi nesta época que , experimentando aquecer limalha de ferro em ácido nítrico, descobriu o óxido nitroso, um gás estranho que ocupará um lugar de destaque na história da do controle de Dor. Depois de verificar que os efeitos produzidos em animais, pelas inalações de seus gases, não eram letais, aspirava-os pessoalmente para assim formular observações verdadeiras.

Após concluir os seus ensaios com o oxigênio, Priestley começou a verificar os efeitos do óxido nitroso sobre animais, mas teve que interromper seus estudos, quando foi convocado por sua Igreja para lutar pela renovação, saiu deste intento derrotado, sendo tratado a partir daí como um herege, filho do demônio. Decepcionado, mas não vencido, voltou aos seus experimentos com o óxido nitroso, mas o povo tomado pela fúria oriunda de convicções religiosas, lançou fogo ao seu laboratório, permitindo-lhe, apenas escapar com vida, mas perdeu todas suas anotações, e aparelhos desenvolvidos através de suas descobertas.

A França, reconhecendo o seu valor, ofereceu-lhe um laboratório em Paris, aclamando-o “Cidadão da República” . O povo inglês revoltado, pediu a sua morte como traidor, e Priestley só encontrou uma forma de sobreviver: fugir para a América, lá tentou mais uma vez recomeçar, mas já estava desiludido e esgotado. Mas ainda descobriu o óxido de carbono, e depois disso veio a falecer em 1804, aos 71 anos.

2

Os gases, recém-descobertos passaram a ser discutidos e ensaiados por estudiosos e leigos na América.

Enquanto isso, na Inglaterra, um jovem de 17 anos, chamado Humphry Davy, auxiliar de consultório do Dr. John Bingham Borlase, o maior cirurgião de Penzance, pacífica cidade inglesa, resolveu realizar consigo mesmo experiências químicas. Davy, ficava muito entusiasmado com as conversas que ouvia entre os cientistas que freqüentavam a clínica do Dr. Borlase, um destes freqüentadores o Dr. Lantham Mitchell, grande autoridade em química médica, relatou em conversa  as descobertas de Priestley, dizendo que não foram conclusivas e ressaltando, em particular o misterioso óxido nitroso - gás venenoso e mortal, que propiciava, segundo ele, a difusão de doença epidêmicas. Davy era um poeta audacioso, e sonhava ser como Mr. Priestley, um grande homem, e desta forma resolveu concluir os estudos deste famoso químico com o tal gás desconhecido. 3

Começou adquirindo todos os livros de química existentes na cidade, estudou a preparação do gás, fechou-se no laboratório da Clínica do Dr. Borlase e fabricou uma grande quantidade do misterioso gás. Mas, ao invés de experimentá-lo em animais, como recomendava a prática científica, decidiu liricamente, prová-lo em si mesmo. A cada forte inalação, ia sentindo crescer uma agradável sensação de leveza, um profundo bem estar,  exaltação auditiva, uma estranha euforia, culminando em uma impulsiva alegria, que o fazia rir e gargalhar espontaneamente. Nesta noite, ele concluiu que se o gás fosse mortal, naquela altura, após consumir uma grande quantidade do gás, ele já estaria morto, logo o famoso Dr. Mitchell estava errado. As noites que se seguiram a esta feliz descoberta, Davy, repetia os seus ensaios com o gás, sempre obtendo os mesmos resultados. Certa ocasião com fortes dores de dente, em função da erupção de um terceiro molar, Davy resolveu tentar inalar o gás a fim de minimizar seu sofrimento, e com surpresa, bastou repetir três vezes o ato para que esperimentasse alívio imediato.

Mais tarde, em função da freqüência com que Davy manipulava este gás, Dr. Borlase tomou conhecimento, foi convidado pelo mesmo a experimentá-lo, e após a inalação, comprovou os efeitos do gás e se propôs a divulgar esta incrível descoberta, mas a sua intenção teve vida curta, pois a notícia do gás misterioso tomou conta da cidade. A classe Ilustrada reagiu, pois dizia ser este um perigo para a saúde pública, segundo declarações do autorizado cientista Dr. Mitchell.  E, temendo entrar na lista dos charlatões, Dr. Borlase, que era respeitado pelo seu trabalho recuou e desistiu do misterioso gás.

Sem desistir, Davy montou um laboratório  na casa do seu tutor, foi neste período que batizou-o com o nome de "Gás Hilariante" , mas um dia, por causa de uma explosão, seu tutor pois fim ao laboratório do jovem químico. Mas neste ínterim Davy recebeu a visita ilustre de um forasteiro, o Dr. Giddy, futuro presidente da Royal Society, que impressionado com as suas experiências, prometeu ajudá-lo. Logo depois, conseguiu um lugar para Davy, com auxiliar no renomado Instituto de Pneumatologia, do Dr. Beddoes, em Clifton, próximo a Bristol. Neste Instituto todos os tratamentos eram feitos à base de adiminsitração de gases, Davy teveo prazer de ver o "seu óxido nitroso"  aceito com entusiasmo pelo Dr. Beddoes. Durante sua estada em Clifton, Davy, não só fazia o atendimento aos doentes administrando óxido nitroso, como também, proporcionava as pessoas ilustres, do círculo de amizade do Dr. Beddoes, as agradáveis sensações do gás, vinham poetas, damas da sociedade, escirtores, todos manifestavam entusiastas opiniões sobre o gás.

No Instituto era utilizado no alívio da asma. A partir do sucesso neste tipo de tratamento, Davy começou a ser convidado a falar sobre o gás milagroso em várias universidades e associações médicas. Mas Davy , sentia que o óxido nitroso estava sendo limitado apenas ao campo terapêutico das doenças do aparelho respiratório, não esquecendo o alívio que teve quando utilizou para a sua dor de dente, a partir daí, escreveu alguns trabalhos, nos quais sugeria o emprego em pequenas cirurgias, mas neste período faltou-lhe tempo para dedicar-se a esta idéia em particular.

A medicina pneumática, preocupada apenas com sintomas, esquecendo as causas, entrou em declínio , para depois cair em colapso, Neste período, Dr. Beddoes, mudou de rumo para a medicina geral, temendo também ser conhecido como charlatão, e assim Davy desiludido, derivou para outros caminhos: a física e a eletricidade, com finalidades industriais.

Os gases ficaram algum tempo esquecidos, até que Faraday, discípulo de Davy, desenvolveu estudos feitos há séculos atrás, por Paracelso e Frobenius, sobre os efeitos anestésicos dos vapores do Éter. Faraday, químico, chegou a conclusão que o éter misturado ao ar, assim como o óxido nitroso, produzia anestesia, a ponto de inalado em demasia, levar o indivíduo a um estado letárgico, como pode constatar num caso que durou trinta horas. Por ele, ser exclusivamente químico desistiu de prosseguir nesta linha.

Vale ressaltar, que se a classe médica, tivesse dado mais importância ao trabalho de químicos como: Priestley, Davy e Faraday, a descoberta da anestesia teria sido antecipada em alguns anos, em contra-partida todos eles poderiam hoje, ser considerados descobridores da anestesia, não fossem químicos.

Seguindo a temporalidade dos fatos, paralelo a experiência de Davy,  citaremos Friedrich Wilhelm Serturner, praticante  de farmácia, sob orientação do farmacêutico Cramer, que investigou a dormideira branca, de nome científico Papaver Sonniferum , de cujo suco resultava o ópio comercial . Eram muito freqüente as observações sobre a falta de um remédio eficaz contra a dor. Como os outros químicos já citados, Sertuner resolveu experimentar o alcalóide, pessoalmente, e no final de algumas experiências conseguiu obter relatos, tais como: "Fomos além do tolerável - intoxicação". Como em algumas experiências com o aumento de dose um sono profundo se  instalou, Serturner procurou um nome adequado  para o seu maravilhoso alcalóide,   no Olimpo, o deus do sono era Morfeu, em função dos efeitos hipnóticos desta substância branca , chamou-a de Morfina  - 1803. Mas, foi também em um episódio de dor de dente, semelhante ao que ocorreu com Davy, que Sertuner pode utilizar a morfina em pequenas doses,eliminando a dor no entorpecimento do sono. Serturner teve o seu nome inscrito como "Benfeitor da Humanidade". Mas a inveja, inerente ao espírito humano, se encarregou de derrotá-lo, e em pouco tempo, ele foi classificado como charlatão. Desolado com a ingratidão de muitos, isolou-se e padeceu até o final de seus dias atormentado pela gota, mas para alívio das dores utilizou a morfina, e o estômago não resistiu ao uso continuado da droga, vindo a falecer em 1841.

No início do século XIX, o mundo passou por amplas reformulações, mas a dificuldade de comunicação entre os povos a marcha do progresso era retardada. Isto acarretava a repetição de descobertas, pela extensão te tempo que as idéias demoravam a percorrer distâncias. Este é outro fator que explica a lentidão do processo de descobrimento da anestesia. 2

 

Vale ressaltar, nomes isolados como o do inglês Dr. Hickman, que abraçou a medicina com o firme propósito de aliviar o sofrimento humano, e redescobriu o mundo dos gases pelos mesmos caminhos experimentais. Na França, recebeu o apoio de Carlos X - rei da França, mas a comunidade médica refutou-o, incorformado  faleceu prematuramente aos 29 anos.

Neste período, a América e a  Europa começavam a utilizar os gases no domínio público:  estudantes de Medicina, ambulantes, conferencistas, utlizavam os gases químicos como entretenimento. As noitadas com o Gás Hilariante e Éter, começaram a acontecer nos salões elegantes, e estas brincadeiras começaram a acontecer nas feiras-livres, nas salas de espetáculo e apresentações mambembe.

1

 

O primeiro médico, nesta época, a utilizar o éter em cirurgia foi o Dr. Crawford Williamson Long, obteve sucesso em vários procedimentos cirúrgicos, mas a convicção popular  dizia que o Dr. Long estava infringindo as leis naturais do sofrimento, e sua clínica ficou deserta, logo o Dr. Long recuou, voltou a operar com dor, para continuar a viver da sua profissão, sem nunca ter publicado nenhuma de suas experiências.

3

 

Em 1840, acontece a fundação da primeira escola de odontologia do novo continente - Escola Dentária de Baltimore. Um dos primeiros diplomados neste curso foi o Dr. Horace Wells de Hartford , Connecticut. Durante sua prática clínica, conheceu o jovem Dr. Morton e com ele trabalhou por um período em Boston. Na volta a sua cidade natal, viu anunciado uma exibição pública, na Union Hall, com o Gás Hilariante - óxido nitroso , com um tal Gardner Colton, que prometia um agradável entretenimento.

No dia 10 de dezembro, lá estava o Dr. Horace Wells na platéia para assistir o espetáculo. O primeiro convidado a aspirar o gás foi um conhecido caixeiro de drogaria Sr. Samuel Cooley, que passou a fazer a mais grotesca das exibições, provocando gargalhadas, terminando por correr entre as cadeiras atropelando-as até atingir um colega  que dele se rira. Cessado o efeito do gás, Cooley, sentou-se ao lado do Dr. Wells, e foi então que apercebeu-se que havia contundido seriamente uma de suas pernas. E afirmava categoricamente, que nada sentira no momento. Wells impressionou-se com o fato e não riu mais durante o espetáculo, acompanhou Cooley até sua residência, vale lembrar que a cirurgia era nesta época o suplício dos suplícios, o infeliz que era obrigado a submeter-se a uma cirurgia, comportava-se como um verdadeiro condenado à morte, em contra-partida os operadores de grandes cirurgias, possuíam os recursos primários do torniquete e do gelo, já nas cirurgias odontológicas, nada disso havia, e a única forma de aliviar o sofrimento era operar com rapidez.

3

3

No dia seguinte, foi a procura de Colton. Levou-o ao seu consultório para que lhe aplicasse o gás, após o que, o seu colega, Dr. Riggs, extraiu-lhe um dente sem que nada sentisse. Wells exclamou emocionado : "- Uma nova era na extração de dentes!", relatou a todos que sob os efeitos do gás, a dor era substituída por sensações agradáveis.  Wells começou a fazer extrações utilizando o gás obtendo um êxito de 50% nos casos operados. Precocemente, voltou para Boston, procurou seu antigo sócio Dr. Morton e este, após ouvir o relato do colega, achou por bem levá-lo ao abalizado químico Dr. Jackson, para obter do mesmo uma opinião científica. Dr. Jackson manifestou-se dizendo ser o método extremamente perigoso. Acrescentou que homens de ci6encia já tinham tentado eliminar a dor com auxílio daquele gás, mas, e, função de sérias intercorrências, tiveram que recuar. Vale lembrar, que nesta época o óxido nitros era utilizado em bexigas a 100%, logo dependendo do tempo que o paciente inalava, os riscos advinham pela ausência de O2 e não pelos efeitos diretos do óxido nitroso.

Wells deixou o laboratório do químico visivelmente incorformado. Sabia, por experiência própria que o gás era eficiente e relativamente sem perigo, pois o tinha inalado e ministrado a um grande número de pacientes sem acidentes dignos de nota. A partir deste raciocínio, resolveu fazer uma apresentação para alunos da Universidade de Harvard, Morton prometeu ajudá-lo no que fosse necessário. No dia da apresentação, apresentou-se voluntariamente, como paciente um jovem estudante, Wells fez a administração do gás, tomou do fórceps e procurou deslocar o dente. Um grito reboou no silêncio, e em seguida vaias e comentários rugiam em exclamações : - Farsante! Charlatão!, E alguns mais exaltados, promoveram a expulsão de Wells do recinto. Horace, verdadeiramente sucumbido, deixou a Faculdade e retornou a Hartford. Sentira a humilhação daquele fracasso, mas sabia intimamente que tudo fora conseqüência da inexperiência e da pressa. O móvel, principal do insucesso não passava da insuficiente administração do gás. Dias depois, procurou retificar o acontecido, fazendo no consultório, um paciente inalar por um período bem maior o óxido nitroso a 100%. O êxito  foi absoluto, mas o paciente andou perto da morte. Após isso, o desencanto o dominou completamente. Renunciou, por fim, ao sonho de controlar a dor dos pacientes nos procedimentos cirúrgicos, e abandonou a profisão de dentista.

Vamos agora, ressaltar um pouco nesta história como consolidou-se  o sucesso no controle de Dor em procedimentos cirúrgicos, segundo o Dr. Martins D'Alvarez em seu livro "A História Trágica da Anestesia", através do Dr. Willian Thomas Green Morton.

Morton, nasceu em Massachussetts em 1819, de família humilde, diplomou-se em odontologia, e para adquirir prática, procurou auxílio em um amigo mais esperiente, Dr. Horace Wells, instalaram-se em Boston, como já citado, Wells retornou após algum tempo a sua cidade e Morton continuou confiante. Quando Wells retornou com a sua descoberta, Morton imediatamente interessou-se e através de suas conversas com o Dr. Jackson, já tinha obtido informações de que o éter, quando aplicado sobre qualquer parte do organismo, eliminava a sensibilidade, experimentou com relativo sucesso, o éter  em incisões,  na cavidade oral.  Desta forma, a partir da experiência de Wells, embora Jackson achasse arriscado, Morton, começou então a estudar o Éter, porque se suas aplicações tópicas provocavam insensibilidade, quem sabe se inalado não produziria efeitos semelhantes? A partir deste ponto, Dr. Morton contratou Jackson para lhe ministrar um curso de química, e foi acumulando conhecimentos sobre o éter. Por um período de sua vida, Dr. Morton dedicou-se exclusivamente aos ensaios com o éter. Dr. Morton, ao contrário do Dr. Wells, dedicou-se insistemente aos vapores da nova droga, submetendo  todos os animais que tinha a seu alcance, e posteriormente passou a experimentá-lo em si mesmo. Em seu consultório , as extrações de dentes sob inalação de Éter, aconteciam com freqüência com total sucesso.  Seus pacientes, afirmavam que as extrações eram completamente indolores. Morton, posteriormente, pensou que o seu método necessitava de um aparelho fabricado especialmente para inalação, aperfeiçoando, assim a técnica. Em seguida, Morton solicitou patente para o seu invento. Jackson, ao tomar conhecimento das pretensões do seu ex-aluno, sentiu-se lesado, e exigiu parte da patente com compensações materiais. Embora contrariado, Morton cedeu e disse que lhe repassaria 10% das rendas do mesmo.
3
3

Dr. Morton, começou a  pensar em levar o seu invento à classe médica, mas desconhecido como era, teve algumas dificuldades, mas conseguiu convencer o diretor do Hospital Geral de Massachussetts, Dr. Warren, a conceder-lhe  o privilégio de uma demonstração pública. Dr. Warren convocou o dentista Dr. Morton, no dia 16 de outubro de 1846, para fazer a demonstração em um procedimento cirúrgico. Em função da demora para entrega do aparelho para inalação,  Dr. Morton atrasou 15 min, em função disto o enorme e seleto grupo que o aguardava , olhava-o com decepção e descrença. Desculpou-se , aproximou-se do paciente Sr. Gilbert Abbot, e com a autorização do Dr. Warren, ministrou-lhe o gás, e disse humildemente : - "Pronto senhor! O paciente está preparado!"  Dr. Warren puncionou o braço do enfermo com uma agulha e mesmo não acusou dor, nem a mais leve reação fisionômica. Passou, então, a operar, enucleando, cuidadosamente, o tumor que o maltratava, concluindo, sem pressa, por suturar a ferida. Só depois da conclusão do ato cirúrgico, o paciente voltou a si, manifestando surpresa, por nada sentir.  A voz austera e respeitável do Dr. Warren encerrou o milagroso ato : "- Meus senhores, aqui não houve truque nem engano. Assistimos algo da maior importância para a cirurgia. Já não somos artífices do terror!"

          Dr. Morton, começou a  pensar em levar o seu invento à classe médica, mas desconhecido como era, teve algumas dificuldades, mas conseguiu convencer o diretor do Hospital Geral de Massachussetts, Dr. Warren, a conceder-lhe  o privilégio de uma demonstração pública. Dr. Warren convocou o dentista Dr. Morton, no dia 16 de outubro de 1846, para fazer a demonstração em um procedimento cirúrgico. Em função da demora para entrega do aparelho para inalação,  Dr. Morton atrasou 15 min, em função disto o enorme e seleto grupo que o aguardava , olhava-o com decepção e descrença. Desculpou-se , aproximou-se do paciente Sr. Gilbert Abbot, e com a autorização do Dr. Warren, ministrou-lhe o gás, e disse humildemente : - "Pronto senhor! O paciente está preparado!"  Dr. Warren puncionou o braço do enfermo com uma agulha e mesmo não acusou dor, nem a mais leve reação fisionômica. Passou, então, a operar, enucleando, cuidadosamente, o tumor que o maltratava, concluindo, sem pressa, por suturar a ferida. Só depois da conclusão do ato cirúrgico, o paciente voltou a si, manifestando surpresa, por nada sentir.  A voz austera e respeitável do Dr. Warren encerrou o milagroso ato : "- Meus senhores, aqui não houve truque nem engano. Assistimos algo da maior importância para a cirurgia. Já não somos artífices do terror!"

  O sucesso de Morton espalhou-se por todo o país e tomou conta do mundo,neste ínterim ,  Horace Wells estava ocupado com compra e venda de quadros e gravuras, e nesta etapa ele recebeu um novo convite de Morton, ao qual não aceitou . Mais tarde após vários sucessos no uso do éter pelo Dr. Morton, chegou a Wells a notícia de que os jornais reconheciam Morton como grande descobridor da insensibilidade pelo gás. Wells protestou, dizendo que a descoberta era sua com o óxido nitroso, e que Morton apenas o imitara com o éter. Um amigo de Wells, Brewster incentivou-o a solicitar à Academia de Paris o reconhecimento de sua prioridade, mas isto lhe foi negado, visto que a descoberta tinha sido feita com o éter e Wells não o utilizara. Só que antes de tentar este reconhecimento, Wells divulgou tal intenção amplamente, e agora se perguntava como voltar a sua cidade para o insignificante posto de vendedor de quadros. Foi quando um novo acontecimento deu-lhe uma idéia salvadora, Simpson, na Europa, tinha lançado o Clorofórmio como sucessor do éter nas cirurgias sem dor.

O clorofórmio foi preparado independentemente por Von Leibig, Guthrie e Soubeiran em 1831. Apesar de ter sido usado clinicamente como anestésico geral por Holmes Coote em 1847, o clorofórmio foi introduzido na prática clínica pelo obstetra James Simpson, que o administrava às suas pacientes para aliviar a dor do trabalho de parto.

O clorofórmio inicialmente superou o éter em popularidade em várias áreas, mas os relatos de arritmias cardíacas e a hepatotoxicidade relacionadas com seu uso fez muitos anestesiologistas o abandonarem em preferência do éter. Mesmo com o advento de outros agentes inalatórios, o éter permaneceu o anestésico geral padrão até o início de 1960.
Wells fez em si próprio ensaios com o novo gás. Certo da sua eficácia tentou introduzí-lo na América, com o objetivo de derrotar o éter, gás patenteado pelo seu atual inimigo Dr. Morton. Sua tentativa foi frustrada pois ninguém ia deixar o conhecido e provado pelo incerto e duvidoso.

            Com o excesso de inalação do clorofórmio, Wells só encontrava prazer na vida quando estava sobre o seu efeito.

            Em Nova York, longe da família, rapidamente tornou-se um mísero viciado, começando a perambular nas ruas com ébrios, mendigos e prostitutas. Não tardou a ser preso por lançar um frasco de "vitríolo" terrível corrosivo, na roupa de duas prostitutas. Julgado e encarcerado sentiu que tinha chegado ao fim. A noite, na solidão de sua sela, escreveu uma carta para sua mulher e filhos sobre a sua suprema angustia onde tinha chegado e donde pretendia sair pela única porte aberta à sua dignidade: o suicido. Inalou intensamente o clorofórmio, abriu com uma navalha a artéria femural, falecendo em seguida.

            Por ironia três dias após essa tragédia, a viúva de Wells recebia em Hartford uma carta de Paris endereçada ao seu falecido esposo e assinada por Brwster, com a notícia consagradora de que Horace Wells acabava de ser considerado o descobridor da anestesia pelo mais alto cenáculo cientifico do mundo, a Sociedade Médica de Paris.

Continuando a história, Morton estava cogitando um nome para o seu gás e batizou-o como "Letheon" pela semelhança que apresentava com o Letheo, rio mitológico, de águas fantásticas, que apagava por sofrimento de quem nele mergulhava. Mas posteriormente a expressão foi considerada muito literária e pouco cientifica, e por fim o nome adequado foi "anestésico" criador do estado de "anestesia".

Enquanto isso o químico Dr. Jackson continuava a perseguir a vitória do Dr. Morton, conseguindo por fim fazer com que a Sociedade Médica de Massachussetts viesse a proibir o uso do gás enquanto o detentor da patente não revelasse publicamente a sua composição química. Morton, consciente do prejuízo que isso lhe causaria relatou que o seu anestésico era apenas éter sulfúrico retificado. Esta atitude de Morton só fez aumentar o seu sucesso, o que só aumentou a ira do seu inimigo, que conseguiu intervir nos resultados do "Premio Montyn" que a Academia de Ciências da França destinava aos "benfeitores" da humanidade. Esse prêmio foi re estudado e dividido entre Morton e Jackson. Os cinco mil francos que acompanhavam a honraria também foram divididos. Morton desistiu de sua parte e recebeu desta Academia uma medalha de ouro cunhada com os dois mil francos que lhe cabiam.

Varias homenagens surgiram em todo o mundo ao reconhecimento do trabalho do Dr. Morton, mais a perseguição do Dr. Jackson era implacável.

Nesta perseguição, Jackson conseguiu reverter a patente de Morton e convenceu aos profissionais que adquiriram os aparelhos a exigirem a devolução dos direitos. Morton para evitar escândalos cedeu e praticamente ficou arruinado tendo que voltar ao consultório e recorrer à clinica para pagar os seus credores. Uma sucessão de problemas advindos desta perseguição aconteceram acabando por liquidar com o conceito profissional de Morton. Até os seus assistentes o abandonaram, era a ruína irremediável e total.

Morton cansado recolheu-se na sua casa de campo. E um certo dia um cidadão bateu-lhe à porta com uma ordem judicial, a sua propriedade rural tinha sido embargada pelos credores. Esta situação comoveu alguns amigos do Hospital Geral que lhe visitaram e orfetaram-lhe uma pequena arca de prata, em cuja a tampa se lia: -"Para William Thomas Green Morton, que empobreceu por uma causa de que o mundo é devedor." Dentro da mesma encontrava-se a importância de mil dólares, isto foi importante para o restabelecimento de Morton.

Aconteceu no senado em Washington um projeto para o prêmio de cem mil dólares como gratidão da América ao seu ilustre filho, descobridor da anestesia, bem feitor da humanidade a quem o governo criminosamente condenara à miséria por violação da patente de seu invento. Jackson sempre atento viajou para Washington e conseguiu adiar a votação desta questão. Após consulta aos médicos do Hospital Geral de Massachussetsa vitória pendeu para Morton, mas Jackson embora saindo deste embate como impostor, sem perda de tempo procurou a viúva de Horace Wells convencendo-a que o prêmio lhe cabia, nova luta se travou ao senado, com nova vitória de Morton, mas Jackson já estava preparando o nome do Dr. Crawford Long, modesto médico, que em 1842 muito antes de Morton operou com éter, nessa altura muitos outros estados entraram na disputa com candidatos os mais variados possíveis. Desta forma o senado, pois a questão em quarentena.

Morton desiludido voltou para o campo, dedicando-se a agricultura e a pecuária.

Mais tarde novos acontecimentos no Congresso levaram a opinião pública a definitiva desmoralização do Dr. Morton. Nesse ponto os seus nervos entraram em colapso e passou a ter sucessivos ataques. Mais tarde em função de outra investida do Dr. Jackson, Morton já sem nenhuma condição física voltou a Washington para contestá-lo, mas não teve tempo e faleceu por um colapso cardíaco no dia 15 de Julho de 1868, aos 49 anos de idade.

Com o desaparecimento trágico de Morton a glória e o reconhecimento público, como sempre acontece vieram sobre sua memória.

Jackson, o seu irredutível inimigo estava vencido pelo álcool, certa manhã ainda alcoolizado, ele se dirigiu ao cemitério da cidade e de repente enfrente ao grande mausoléu,  se deparou com o seguinte texto: "William T. G. Morton inventor e revelador da inalação anestésica. Graças a ele, a dor na cirurgia foi prevenida e anulada. Antes dele, a cirurgia era um tormento. Depois dele, a ciência dominou a dor.Erigido pelos cidadãos  de Boston.

Após seis anos de insanidade, recluso em um asilo faleceu aos 75 anos o químico Dr, Jackson.

A partir de 1884, a anestesia local tornou-se possível, com a descoberta de Karl Kooler das propriedades anestésicas da cocaína, oftalmologista da Bohemia, influenciado por Sigmund Freud,  instilou cocaína nos olhos dos seus pacientes conseguindo efetuar cirurgias sem dor.  William Halstead, em 1885, iniciou o uso da cocaína - o primeiro anestésico local  -  para realizar um bloqueio de nervo. Já em 1885 Leonard Corning realizou peridural em cachorros, depois Cathelin em 1901. Quincke em 1891 estabeleceu os princípios da raquianestesia, mas foi August Bier o primeiro a fazer uma raque no homem, no já distante 1898.  O cirurgião francês Paul Reclus introduziu o método da infiltração; o cirurgião alemão August Bier usou a anestesia intra-espinhal com cocaína em 1899. Vale citar  a invenção da agulha por La Fargue, na França, pois até então os fármacos eram administrados por fricção na pele ou através de uma incisão. O irlandês Rynd inventou a agulha metálica, o francês Charles Gabriel Pravaz a seringa hipodérmica em 1851 que foi aperfeiçoada por Alexander Wood em 1854

Sendo assim, como os derivados da cocaína eram anestésicos muito mais potentes que o óxido nitroso, este só voltou a ser utilizado  a partir de 1929. A Detroit Pedontic Club e a American Society For the Promotion of Children's Dentistry organizaram-se para chamar a atenção dos dentistas para a necessidade de cuidados com a saúde oral das crianças, especificamente no que concerne à restauração e conservação dos dentes temporários., Embora a odontopediatria  não fosse uma especialidade reconhecida, Rister defendeu o uso de óxido nitroso, agora associado ao oxigênio, em odontopediatria.  Apesar de enfatizar o uso para extrações, apresentou dois casos de preparo de cavidade e um de pulpotomia.

NEVIN &. PUTERBAUCH (1923), descrevem pela primeira vez de maneira completa e detalhada, a técnica de administração da mistura gasosa óxido nitroso (N2O) e oxigênio (O2), com finalidade terapeutica e analgésiaca em odontologia.

Entre os anos de 1930 e 1940, a maioria dos cirurgiões dentistas utilizava uma mistura com a proporção de até 80% de N2O e 20% de O2, nos Estados Unidos da América. Apesar da melhora na pureza dos gases e do desenvolvimento dos misturadores dos gases, a proporção de sucesso com a utilização da técnica ainda era pequena .

A partir dos wokshops que aconteceram nos EUA, nos anos de 1970, para controle de Medo e Ansiedade no atendimento  odontológico ambulatorial, a analgesia inalatória começou a ser utilizada largamente pelos dentistas em todas as especialidades, em ambiente ambulatorial

As pesquisas no campo da química, no que tange ao atendimento hospitalar,  nos fez evoluir da dormideira, da mandrágora, do álcool e de métodos exóticos, como o estrangulamento empregado pelos assírios, a concussão cerebral, o frio intenso e a compressão de nervos para métodos em permanente evolução como a neuroleptoanalgesia, anestesia analgésica, seqüencial, alvo controlada, venosa pura, balanceada, com  um índice de segurança e previsibilidade cada vez mais próximo da perfeição.

 

Finalizamos com o seguinte provérbio:" o homem que desdenha do passado esta condenado a repeti-lo.

Rio de Janeiro,   08/06/2000

Carla  Gonçalves Gamba

Luiz Alberto Ferraz de Caldas

 


© 2001-2006 GRUPONITRO.COM.BR : Privacidade : Mapa do Site : Publicidade:webmaster@gruponitro.com.br