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ATENDIMENTO DO PACIENTE SOB CORTICOTERAPIA

Produção Fisiológica de Cortisol pelo Organismo

Em um individuo, em condições normais, a produção fisiológica dos glicocorticóides se dá em um ritmo freqüente e diário (Ritmo Circadiano), que oferece o pico plasmático no inicio da manhã (por volta de 8 horas). No decorrer do dia ocorre um decréscimo gradual, alcançando concentrações plasmáticas próximas de zero às 24 horas, quando então a produção é retomada. Baseado neste ritmo, a terapêutica e o horário de administração dos glicocorticóides exógenos (aqueles que são administrados como medicamentos) deve ser no período da manhã com o objetivo de mimetizar (imitar) o padrão fisiológico.

Terapia de Curto Prazo e Prolongada

A utilização de glicocorticóides na Odontologia vem aos poucos conquistando novos adeptos, superando a barreira do medo que muitos CDs tinham para sua prescrição, isto porque entre inúmeras vantagens, os glicocorticóides são utilizados em dose única e proporcionam ótimos efeitos antiinflamatórios.Sob este aspecto, existe uma diferença marcante entre a administração por um curto período (dexametasona - 4mg, em dose única, por exemplo) e a administração crônica (5mg de prednisona em dias alternados por um período superior a 6 meses, por exemplo). No primeiro caso, os efeitos colaterais são mínimos. Contudo, na administração por longo período, ocorre a supressão da produção do glicocorticóide endógeno, o cortisol. Em situações estressantes como mudanças bruscas de temperatura ou agressões ao nosso organismo, em condições normais, nosso organismo aumenta a produção do cortisol, mantendo a homeostasia do organismo. No paciente submetido a um tratamento prolongado, esta resposta não ocorre porque a presença no sangue do glicocorticóide administrado no tratamento suprime a capacidade de aumento de produção do glicocorticóide endógeno. Sendo assim, devemos antecipar qualquer procedimento clínico estressante suplementando a quantidade de glicocorticóide ingerida pelo paciente.

Protocolo para o Atendimento do Paciente sob Corticoterapia Prolongada

Antes de envolver o paciente sob corticoterapia prolongada num procedimento estressante, como um ato cirúrgico, devemos saber o corticosteróide que está sendo por ele utilizado, a dose prescrita pelo médico, o tempo de uso e a doença que está sendo tratada (pênfigo, linquen plano, lupus eritematoso, por exemplo).

Nas situações de estresse, como atos cirúrgicos ou traumas, as necessidades de glicocorticoides estão aumentadas, como já comentamos. Assim sendo, os pacientes que estejam em corticoterapia prolongada devem ter suas doses devidamente ajustadas antes de passarem por procedimentos clínicos evoquem um aumento de glicocorticóide plasmático. Mesmo pacientes que estejam fazendo uso de corticosteróides por poucos dias devem ser observados no caso de um possível quadro de hipocortisolismo, habitualmente de pequena intensidade.

Portanto,é conveniente que pacientes em uso de corticoterapia sistêmica crônica tenham consigo um "cartão de corticoterapia",contendo informações sobre como ajustar a dose do corticosteróide em situações de estresse.

Fonte: Departamento de Endocrinologia Pediátrica do Instituto da Criança da FMUSP.

 

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