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Própolis ganha força na odontologia
Variedade produzida no Estado apresenta resultados animadores no tratamento de pacientes com candidíase bucal, atendidos gratuitamente na Clínica de Estomatologia da UFMG. A própolis, tão conhecida por suas propriedades antibacteriana, fungicida, imuno-estimulante e cicatrizante, vem ganhando força em pesquisas e tratamentos odontológicos. Na Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a chamada própolis verde, substância resinosa coletada pelas abelhas a partir dos brotos do alecrim do campo (Baccharis dracuculinfolia), para assepsia e proteção da colméia, vem sendo usada com sucesso no combate a doenças, como a candidíase bucal. Desde 1996, pesquisadores da faculdade estudam o efeito antibacteriano e antibiótico da própolis, que tem se mostrado tão ou mais eficiente que antibióticos convencionais, no combate a microorganismos que provocam alterações periodontais, como a gengivite e a periodontite, bem como de fungos que causam lesões de mucosa. O professor-adjunto de patologia bucal e vice-diretor da faculdade, Vagner Rodrigues Santos, diz que um dos resultados mais recentes da pesquisa, que será publicada em breve por uma revista especializada britânica, é o uso da própolis no tratamento da candidíase bucal, em pacientes que usam dentadura. "Ministramos a própolis, sob a forma de extrato, a um grupo de 20 pacientes atendido gratuitamente na Clínica de Estomatologia. Sob nossa orientação, eles fizeram quatro aplicações diárias, durante dez dias. Após avaliação dos dados colhidos antes do tratamento e a repetição de todos os testes microbiológicos, constatamos que em 19 deles as lesões desapareceram totalmente", conta. A divulgação da pesquisa, lembra o professor, serve de alerta, já que muitos usuários de dentadura passam anos sem procurar o dentista e podem ter a doença, que é silenciosa, não provoca dor e costuma manifestar-se apenas por lesões de coloração vermelha no céu da boca, sob a dentadura. "A candidíase bucal tem fácil tratamento e controle, mas é preciso que o paciente siga os procedimentos recomendados, pois ela pode reincidir", explica. Em teste in vitro, a própolis também se mostrou eficaz no tratamento da doença, a partir de amostras colhidas em pacientes HIV positivo. "Nas primeiras avaliações, ela se mostrou até mais eficaz que antibióticos disponíveis no mercado. O próximo passo será fazer o estudo direto nos pacientes", antecipa o professor. O Brasil exporta cerca de 70 toneladas de própolis in natura ao ano, para fins medicinais, e tem como principais compradores Japão, Estados Unidos, Alemanha e China. A própolis verde é rica em artepelin C, fenólicos e flavonóides. Atualmente, há 300 componentes isolados e muitos deles já foram patenteados para o uso medicinal. No Japão, médicos alopatas também usam esse produto no tratamento do câncer. "A população já descobriu as vantagens da própolis na solução de problemas da pele e infecções de garganta, mas ainda há muito mais a conhecer", diz o diretor da Pharma Nectar, José Alexandre Silva de Abreu, que fornece a própolis usada pela UFMG. Encapsulamento Outra vertente das pesquisas na UFMG é o melhoramento da atividade da própolis para tratamentos bucais. A equipe, que conta com apoio de especialistas do Departamento de Química, do Instituto de Ciências Exatas, e da Faculdade de Farmácia, conseguiu encapsular a própolis, utilizando moléculas biomateriais inteligentes, permitindo que ela atue de forma localizada. "Sob essa forma, ela tem liberação mais lenta, com efeito direto e prolongado. Vamos apresentar esses resultados no congresso da Sociedade Brasileira de Pesquisa Odontológica, em Águas de Lindóia (SP), de 7 a 11 de setembro", anuncia Vagner Santos. Em breve, também deverão ser patenteados um novo creme dental e uma solução de bochecho, que estão sendo desenvolvidos. "Nosso objetivo é comprovar a eficácia científica da própolis, para que ela passe a ser vista como medicamento e não apenas como cosmético. Precisamos investir nas pesquisas, já que é a própolis é um produto polivalente, de fácil aquisição pela população e tem custo bem acessível", explica o professor. No entanto, ele faz questão de lembrar que, mesmo sendo natural, a própolis deve ser usada sob orientação de especialistas. "Assim como cabe ao governo controlar a qualidade do produto que chega ao mercado, o paciente deve utilizá-la com parcimônia. Até porque os microorganismos podem tornar-se resistente a ela", alerta. A Faculdade de Odontologia da UFMG atende pelo menos 4 mil pessoas mensalmente. O tratamento é gratuito e pode ser agendado às quartas e sextas-feiras, de 8h às 12h, no campus da Pampulha. Pacientes portadores do vírus HIV, hipertensão e diabetes recebem atendimento especial. Curso internacional Para mostrar os resultados das pesquisas com o uso da própolis verde e da apicupuntura, técnica em que se utiliza o ferrão da abelha para estimular os meridianos, a Fharma Nectar vai promover, de 3 a 4 de setembro, o 1º curso Internacional de Propoterapia & Apicupuntura, com atividades em Belo Horizonte e Caeté. Fonte: Estado de Minas |
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